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O segredo é o tempo - por Júlia Groppo

04 novembro 2015
Imagem: tumblr.com
"Há males que vêm para o bem", já dizia a minha avó. Hoje eu vejo o quão certa ela estava. Na nossa vida, coisas ruins vão acontecer constantemente; funciona assim mesmo. Mas, se tem algo que aprendi com meus últimos insights, é que a vida não faz por menos. Tudo que acontece será útil dali um tempo. Uma decepção, uma perda, uma nota baixa naquela matéria que você tanto ama, uma amizade que se perdeu na correria dos dias, uma grosseria logo pela manhã... Acredite, a quantidade de dor sentida no momento será diretamente proporcional à força que você desenvolverá dentro de si, para que consiga enfrentar os próximos desafios. Porque, sim, ainda existirão vários. 
Ao menos para mim, essa força que me pega de jeito a cada dificuldade que enfrento é uma espécie de superação pessoal. Eu olho para trás, enxergo uma Júlia diferente, ultrapassada. Tudo isso se explica, porque a cada aprendizado mudamos um pouco daquilo que levamos dentro da gente. Então eu paro e penso: "Você não esperava por essa, né?" (e sigo em frente). Parece que o peso de viver diminui e a quantidade de ideias acerca do que é a vida, aumenta. 
Sabe qual o segredo disso tudo? O tempo. Aquele que cura toda e qualquer ferida e que transforma a tristeza em evolução. O famoso leva e traz de gente, de memórias e de sentimentos. Ele passa, mas não passa sozinho. A cada segundo, carrega o que tiver que ser levado de nós e, no outro segundo, traz o que precisa ser sentido. Talvez, nesse momento, você aí do outro lado da tela não entenda, mas lá na frente fará muito mais sentido. Eu prometo. 
E então você pode vir me contar. 
Mil beijos,
Júlia Groppo

O início do fim - por Júlia Groppo

03 setembro 2015
Foto: Bruno Fini
Não consigo acreditar que já estamos em setembro. É nesse momento que minha ficha cai de que mais um ano está caminhando para o seu fim. E não, não estou sendo dramática. Apenas pensem comigo: oito meses inteirinhos já se foram. 
É nesse momento também que paro para analisar tudo o que aconteceu em minha vida: o que vivi e o quanto isso me fez crescer, as pessoas que passaram por mim e decidiram ficar por aqui e também aquelas que passaram e se foram, num lapso de vivência e aprendizado que compartilharam comigo. Pequenos momentos, poucas pessoas e coisas pequenas que podem transformar uma vida. Essa também é a hora de refazer a lista de metas, vibrar por aquelas que já foram cumpridas e levar um empurrãozinho daquelas que ainda estão estagnadas, esperando por você até o dia 31 de dezembro. Vale também acrescentar coisas que você jamais imaginaria ter vontade de realizar. Durante a caminhada podemos mudar de direção e desejar coisas diferentes, loucas e absurdas, mas jamais impossíveis!
Preciso confessar que também é nesse momento que bate um desespero, algumas dúvidas e até uma certa vontadezinha de voltar para aquele dia que você fez uma burrada que poderia ter sido evitada. Mas, ei, se tem uma coisa que eu acredito é que C A D A uma das nossas ações - mesmo (ou principalmente) as pequenas - traçam o nosso caminho por completo. Explico: mesmo nossos erros nos levam para lugares que precisávamos ir, sem que saibamos disso.
Neste momento, também, me sinto exatamente como na foto: já andei com muitos tropeços, confesso, mais da metade do caminho, porém ainda há muito o que viver até pegar em mãos, novamente, minha lista de metas. Se tudo der certo, brindarei ao som dos fogos de artifício que 2016 chegou e eu pude ter a sorte e a força de vontade de cumprir tudo aquilo que meu coração desejou para 2015. Percebem na foto que não consigo ver para onde o caminho que traço irá me levar? Da medo, né?! Mas também causa uma curiosidade tremenda, que não posso deixar de lado. Estou pronta para encarar o que me espera bem ali, do outro lado!
Setembro chegou um pouco demorado, porque tive a impressão que agosto durou muito mais do que 31 dias. Mas tenho pra mim que ele fará a espera valer a pena. E vocês?
Beijos, Beijos
Ju

Os meus, os seus, os nossos - por Júlia Groppo

26 julho 2015

Todo mundo tem, mesmo que não tenha conhecido. Todo mundo adora, mesmo que às vezes reclamemos do quanto se preocupam conosco. Todo mundo já emprestou deles o dinheiro, o casaco que esqueceu num dia frio ou o chinelo quando foi passar as férias em sua casa. Todo mundo já pediu um bolo de fubá – ou de cenoura – e também já os acompanhou em bingos. Já dormimos na casa deles, já aproveitamos que os pais não estavam por perto pra fazer coisas que só eles mesmo nos deixam aprontar. Já fomos cuidados por eles enquanto nossos pais precisavam ir atrás de botar comida na mesa. Agora, somos nós quem retribuímos o carinho e o cuidado, quando eles voltam a ser criança e perdem a noção do perigo – e do tempo.

É o toque leve, a melhor receita de doce, o abraço que acalma, as brincadeiras que nunca esqueceremos, a oração que tem mais força, o ‘’ eu te amo’’ que tem mais valor pro coração. São os sábados ajudando a lavar o carro, os domingos preparando o almoço e as ligações durante a semana pra matar a saudade. Amor de vô e vó, olha, eu não troco por outro. Esse amor puro, inocente e que ultrapassa gerações. Um amor que desconhecemos de onde vem a dimensão, porém podemos provar dela todos os dias.

Aos meus avós, que me ensinaram a ser alguém melhor. À minha Vó, que me ensinou a importância de Deus, a receita do seu bolo de cenoura e como ajudar ao próximo é importante; ao meu Avô, que sempre soube tirar sorrisos de orelha à orelha de mim com suas brincadeiras e confusões. Já abraçou os seus hoje? Aproveita e já abraça todos os dias que puder, por toda a semana e também pelo resto da vida. Quem dera se fossem eternos, né?

FELIZ DIA DOS AVÓS!


Ju. 

Sobre as sogras que eu tive e as que não tive também

11 junho 2015
Embora seja véspera de Dia dos Namorados, queria falar sobre as sogras que já tive ou que quase tive. Não que os sogros tenham merecido menos ou significado menos para mim, mas, em todos os casos, sempre me afeiçoei mais a elas. Tive a sorte de ter conhecido mulheres fortes, decididas e que cuidavam da família com tanto afinco, que eu acabava entrando na dança e sendo bem cuidada também. 
A primeira delas talvez tenha sido a que eu passava mais tempo junto. Assistíamos televisão juntas, preparávamos a mesa do almoço, saíamos fazer compras no mercado ou padaria, também íamos jantar, mas, principalmente, conversávamos muito. 
Eu ainda era muito criança para entender as coisas que envolvem um relacionamento, o meu namorado da época também. E, justamente por isso, namoramos por certo tempo e terminamos tudo, como se fosse tragédia grega. Ah, e como eu chorei... Eu chorava e achava que nunca mais encontraria um namorado ou qualquer menino que gostasse de mim. Achava que havia perdido "o cara", quando tinha mesmo era perdido a melhor sogra que eu poderia ter. Era uma amiga, uma protetora e até hoje, quando nos encontramos por aí, somos duas pessoas mais felizes. Tenho certeza que ela se sente assim também. 
A segunda sogra foi a que talvez eu tenha tido menos contato em relação as outras. Mas não menos importante. Nunca havia namorado um menino tão correto, tão responsável. Claro que não éramos perfeitos, e nem podia ser assim no alto de nossos dezesseis ou dezessete anos. Éramos jovens e por isso eu muito me impressionava com a postura do menino mais bonito que eu já havia conhecido. 
Tudo isso era "culpa" de sua mãe, que o havia ensinado tudo o que ele precisava saber para entender que a vida não era só brincadeira. Tinha que ter estudo, tinha que ter trabalho, tinha que ter responsabilidade. Foi essa segunda sogra que tirou tarô para mim. E eu nunca me esqueci dos resultados e do que diziam as cartas. 
Ela, toda mística e espirituosa, encheu a minha vida de mais esperança. Esperança de encontrar mais garotos responsáveis e maduros, como o filho dela. Esperança, como assim ela previu nas cartas, de que eu encontraria a minha alma gêmea, embora ela não pudesse garantir que essa alma gêmea seria o filho dela.
Minha terceira sogra. A mais durona, a mais bonita, a mais coruja. Não que as outras não fossem nada disso. Muito pelo contrário! Mas ela era mais! Eu não conseguia entender qual era o segredo que ela tinha e que conseguia botar ordem na casa com tanta propriedade. E eu duvido que ela achasse que mandava tanto assim. No entanto, eu nunca tive dúvidas. O tempo que passei ao seu lado, aprendi diversas coisas, mas o mais importante, talvez, tenha sido relacionado ao auto-controle. O mundo podia estar desabando, os problemas se multiplicando, e, mesmo assim, ela estava lá, de costas bem posicionadas, sem perder a compostura, ganhando as pequenas batalhas do dia a dia, em sua casa que tanto suou para conquistar. 
Infelizmente, não posso levar todas elas para sempre ao longo de minha jornada. Mas nunca vou me esquecer de cada uma; até das que não chegaram a ser sogras, mas que eu gostaria muito que tivessem sido. São minhas (quase) mães; minhas mães postiças quando a minha própria não podia estar por perto (posso imaginar que a figura de cada uma tenha trazido um pouco de tranquilidade para a minha mãe em determinados momentos). 
A minha homenagem hoje tem o objetivo puro e simples de agradecê-las. 
Obrigado por terem cruzado o meu caminho, por me inserirem na família de vocês mesmo que por pouco tempo. 
Nunca, nunca vou me esquecer!

weheartit.com

Feliz dia dos namorados para cada um de vocês que ama verdadeiramente! 

Oxigênio antes de tudo

21 maio 2015
Foto: Bruna Gomes / Instagram @blogdabru
E então? Por que só existo se as letras existem em mim? Elas fazem meu corpo, meu sangue e as batidas do coração? São letras, mas são oxigênio antes de tudo. São significado e significante de tudo o que sou. Se hoje respiro com facilidade, devo à escrita. Letras que me deram vida.
Sou junção, gramática, léxico, acento circunflexo e ponto de exclamação. Sou muitas reticências na mesma frase. Sou mais parênteses do que recomendam os livros de português. Eu sou o som das palavras que pronuncio. Prefiro ser ponto e vírgula que ponto final. Sou caligrafia torta e mal desenhada, mas posso ser a mais linda carta de amor que você já leu. 
Sou mais densa que autores russos, mais impronunciável que um verbo conjugado de maneira equivocada, mas menos direta que uma afirmativa. Minhas mãos pensam que fazem arte, e fazem sim. A arte desconhecida, ainda que menos prestigiada, não deixa de ser arte. Ela, arte desenhada e gerada com letras, espaços e tinta de caneta, é bela e não se desfaz. Ela vive nas páginas de um papel. É ela e só. Mas é, e é com a grandeza de uma menina-mulher apaixonada.
São palavras que fazem levitar os pés. São elas, que me pertencem; e assim somos nós, nas entrelinhas, na junção, no meu nascimento, no texto.

Por Bruna Gomes

Espécie rara aparentemente com muitos motivos

09 maio 2015

Minha mãe é uma pessoa engraçada.
Às vezes, quando ela usa meias, e quase sempre ela usa meias (nos pés, obviamente), ela faz passos de balé. Não importa se o passo está certo, nem se ela está ouvindo alguma música. Ela aproveita que o chão de casa é liso e fica fazendo passos de balé. Sem motivos aparentes.
Ela também não gosta de queijo. Mas não é nenhum preconceito com ele, coitado, se a gente considerar que ela não gosta de comer nenhum peixe que não seja branquinho e sem gosto forte, ou também salame, presunto, maionese, sardinha, berinjela, frutos do mar, casquinha de siri, carpaccio, etc.
Minha mãe gostava, quando eu era um bebê, de ficar me filmando e tirando foto (a minha sorte é que na época não existia selfie, iPhone, ou qualquer coisa que facilitasse esse gosto bacana que ela tinha). Mesmo que eu não estivesse fazendo nada, ou apenas deitada com aquela minha barriguinha branca de chopp (ou de leite) virada para cima, apenas pensando em qual seria minha próxima refeição, lá estava ela, me filmando ou tirando fotos. Por este fato, tenho um grande acervo de filmagens e fotos de quando meu cabelo era tão loiro, quase branco, que ninguém me perguntava se eu tinha luzes ou algo do tipo.
Ela gosta de comer doces. Sim. Muitos doces. Meu pai costuma comprar chocolates para o final de semana e ela pede para ele esconder na despensa, mesmo que o esconderijo seja tão óbvio que ela, definitivamente, sempre saiba onde estão os chocolates. Nos restaurantes que frequentamos aos fins de semana, ela fica brava quando queremos pedir sobremesa e fala que só vai provar do nosso doce. Por isso, procuro sempre escolher os com base de queijo, ou qualquer ingrediente que ela não goste. Egoísmo da minha parte? Não. Apenas uma técnica que desenvolvi ao longo dos anos para que eu não fique sem a minha sobremesa. Obrigada.
Você deve estar se perguntando. Por que ela não gosta de pedir sobremesa em restaurante? Porque ela se acha gorda. Muito embora (adoro essa palavra) ela não seja. Dona Alessandra sempre acha que está gorda, acima do peso e que precisa emagrecer. Mas ela não demonstra. Finge que tá tudo bem. Claro que eu e meu pai sempre sabemos.
Uma vez, brigamos por uma escova de cabelo. O resumo da história é que eu e ela ficamos, descontroladamente, tacando a escova, uma no quarto da outra, até a gente perceber ou se questionar: “por que mesmo a gente tava tacando a escova?”. São momentos particulares e acontecem, mais ou menos, umas duas vezes ao mês.
Às vezes, como nesse momento em que estou escrevendo o texto, ela fica fazendo dancinhas ridículas só porque ela falou alguma coisa engraçada e ficou animada por alguns minutos. Aí ela para, e começa a dançar balé. Sim. Obrigada por isso, mãe. Você dança de maneira engraçada e a gente acha fofinho.
Outra característica que merece um parágrafo exclusivo é que ela é um pouco brava, mas eu também sou. Então tudo bem. Acabou o parágrafo. Pulem para o próximo.
Ah... Quase me esqueci. Minha mãe não bebe muito, mas ela gosta bastante de vinho, whisky com energético e bebidas docinhas. De vez em quando, quando pedimos vinho e ela está com a amiga dela de muitos anos, a Wal, elas tomam mais de uma taça (no total, duas taças. Ohhhhhh) e ficam rindo, aparentemente sem motivo algum. Não estão bêbadas, mas ficam dando risada e a gente nem sabe o porquê. Já desisti de tentar compreender. Hoje, aos 21, eu bebo junto e rio também, muito embora eu não saiba o motivo. Aparentemente, ele não existe.
Minha mãe gosta de ler. Lê bastante, mas sempre um livro por vez. Ela gosta de Jane Austen, de Sophie Kinsella, já leu todos os livros do Harry Potter e também gosta de Jorge Amado (esses ela já leu quando era mais nova). Temos uma estante na sala e é lá que ficam os livros lidos dela. Posso dizer que são muitos. Então, não é nenhuma novidade que eu também seja assim, mas um pouco pior.
Alessandra é a tia preferida das crianças da família. Ela mantém a filosofia de que se a filha não é dela, ela pode mimar. Mas não se enganem com tanta doçura. Tia Ale não permite criancinhas em cima de sua mesa de centro, devidamente organizada com revistas bonitas sobre decoração, viagens e assuntos legais. Tia Ale também não gosta de criancinhas brincando de bola dentro de sua sala (ou de qualquer cômodo da casa). Tia Ale não gosta de bagunça. Segundo ela, já passou pela fase de ficar correndo atrás de criancinhas (no caso, eu) e é por este motivo que não teve mais filhos. A verdade é que ela traumatizou, porque pariu com 23 anos e eu não era a criança mais quieta do mundo, se considerarmos minha aptidão para pintar as paredes com lápis de cor, me pendurar em locais perigosos, brincar com coisas de vidro e/ou pontudas e/ou afiadas.
Eu era uma criança maravilhosa, como vocês podem ver, e ela apenas uma jovem (que nem formada estava), mas ia todos os dias até Piracicaba, exatamente muitos quilômetros de distância de Sorocaba, onde a gente mora desde sempre, para terminar seu curso de Psicologia.
Outra característica bem particular da minha mãe, é que mesmo que ela possa acordar ao meio dia, ela acorda às sete horas. Não me perguntem o motivo (aparentemente, não há nenhum). E aí, Alessandra acorda meu pai, Fábio, pois fica se mexendo ou se movimentando ou fazendo algum tipo de barulho, que, nós sabemos, sempre o acorda no final das contas.  
Eu poderia ficar enumerando e falando sobre essa espécie rara de pessoa que é a minha mãe. Mas após 21 anos de observação e análise, tenho muitas coisas para falar. E, com certeza, vocês tem muitas outras coisas melhores para fazer.
Por fim, gostaria de encerrar esse texto com os meus parabéns para aquela que me pariu naturalmente, e com muita dificuldade (eu era uma criança bem servida) e para aquela moça que teve a brilhante ideia de colocar grades em qualquer abertura de nosso apartamento, com a intenção de evitar qualquer tentativa de voo, por parte de sua querida filha Bruna, no caso, eu.  Obrigada, mãe, por me ensinar a não perguntar se alguém está grávida, mesmo que a outra mulher pareça grávida. Obrigada por me ensinar o gosto da leitura e não querer me matar quando eu gasto dinheiro em quantidades absurdas com livros, no final do mês. Obrigada por mirar no chão, quando a gente fica tacando escova de cabelo uma na outra. Obrigada por me dizer que eu era linda, mesmo quando meu nariz tinha o tamanho e vida própria (e por nunca ter reparado no tamanho excessivamente pequeno dos meus dedos, justamente, por achá-los lindos e normais).
Não poderia me esquecer de admitir que você sempre acertou quando me mandava colocar blusa, porque ia fazer frio. Sempre passei frio. Nunca falei que sim. Aparentemente, sem motivo algum. Obrigada. Feliz dia das mães, adiantado.